quarta-feira, 9 de junho de 2010

Aquilo que sou

Como alguém cantava, «às vezes é no meio do silêncio que descubro, afinal, aquilo que sou». E às vezes é no meio do barulho. E às vezes na adversidade, outras na posperidade. Espera aí... Afinal, descubro-me em tudo, até em mim e no reverso da minha medalha. Será que preciso de me descobrir? Afinal eu sou eu e o meu oposto, o silêncio e o barulho, sou tudo. E às vezes, mais do que abrir todas as portas e janelas, apetece-me parar nessa busca de quem sou, até porque estou em todo o lado, sou um bocado de tudo.
Bolas para aquilo que sou, hoje quero empenhar-me naquilo que vivo. Aquilo que sou é o que fica na memória dos outros; aquilo que vivo é o que fica na minha.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quem nos devia governar?

«É pena que todas as pessoas que sabem como se governa um país estejam ocupadas a conduzir táxis ou a cortar cabelos.»
George Burns

Nem mais, o que muitas vezes faz falta aos políticos é que enquanto estão entretidos a fazer carreira política não estão a aprender nada com a vida. Com as dificuldades que sentimos, com a ginástica que temos de fazer para esticar o ordenado, com a forma de lidar com as pessoas do mundo real. Por isso, prefiro os políticos que, antes de chegarem à política, já tinham uma carreira firmada.
Sempre admirei as donas de casa, ou 'as mães a tempo inteiro', e qualquer uma delas poderia dar uma aula ao Sócrates sobre a forma de governar um país. E se o Sócrates, como outros, quisesse ouvir, seguramente seria menos mau primeiro ministro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O melhor de cada um de nós

«Quando procuramos descobrir o melhor nos outros, de algum modo mostramos o melhor de nós mesmos.»

William Arthur Ward


É por isso que gosto tanto de conhecer pessoas e porque vale a pena procurarmos o melhor que elas têm. Porque neste processo acabamos por nos tornar melhores pessoas. Porque, na descoberta, descobrimo-nos a nós próprios. Porque se te juntas aos bons, tornas-te como eles.

Desafio desta semana: fazer uma lista, nem que seja mental, do melhor que têm as pessoas que amamos.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Que ninguém lave as mãos

Que ninguém lave as mãos quando um miúdo de 12 anos decide matar-se porque não aguenta mais levar pancada na escola.

Que ninguém finja que não viu, que não ouviu, que não sabia, que é um caso isolado, que etc e tal numa conversa que dá vómitos.

Que ninguém invente inquéritos para perder tempo, para voltar a lavar as mãos de novo, para fingir que daqui para a frente tudo vai ser diferente.

Que ninguém se atreva a adormecer tranquilo e a acordar como se o amanhã fosse apagar o que se passou hoje.

Sabem o que me enoja mesmo?
Daqui a uns dias aquele miúdo de 12 anos vai deixar de ser notícia. Mais ninguém vai querer saber de uma escola em Mirandela, todos vão estar em amena hibernação até ao próximo miúdo de 12 anos decidir matar-se porque não está para ser saco de pancada. E muito menos para se sentir tão só porque ninguém abriu os olhos para o ver.

Que pais, que professores, que educadores temos, que nem reparam num miúdo de 12 anos?

Eu andei num seminário. Digam o que disserem, acreditem no que acreditarem, mas foram dos melhores anos da minha vida. Já na altura havia miúdos terríveis, com infâncias complicadas e com tendência para malhar nos outros. Por isso, não se atirem aos miúdos que batem como se fossem eles os principais responsáveis, não lavem as mãos, repito.
No meu colégio havia professores, auxiliares, educadores ou até alunos mais velhos e responsáveis sempre a supervisionarem cada centímetro daquele colégio, cada esquina dos espaços de recreio. Havia sempre um responsável a controlar os grupos, as brincadeiras, os jogos. Foi nos salesianos, que adoptam algo de interessante como "sistema preventivo". Antecipar é melhor que reagir, premiar o mérito é melhor que castigar. Ali, os adultos não se demitem.

Que ninguém lave as mãos quando um miúdo de 12 anos decide matar-se porque não aguenta mais levar pancada na escola.

Que ninguém lave as mãos. Não é bonito ver água ensanguentada a fugir pelo ralo...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Sorriso

«Todas as pessoas do mundo sorriem no mesmo idioma»


Um, sorriso para vocês

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Estou em Angola

Estou em Angola para fazer a cobertura do Campeonato Africano das Nações, até final de Janeiro. Por falta de tempo e com pouca possibilidade de usar internet por muito tempo, não tenho vindo aqui. Está a correr tudo bem, tirando as coisas que não correm e que a malta até já se ri. Não há outra hipótese.
Em Angola diz-se 'Malembe, Malembe', que é como quem diz, 'vai com calma...' Aqui se aprende também o que quer, de facto, dizer, «viver um dia de cada vez». Onde as pequenas conquistas são tão saborosas. Onde o trânsito é louco e 10 quilómetros demoram hora e meia a fazer.
Está um calor de fritar ovos estrelados na pele.
É duro? É. Mas também é uma escola de vida. E um teste à nossa maneira europeizada de ser.
Já devo ter perdido uns 6 quilos em duas semanas. Bem bom. Como aqui não tenho acesso tão fácil aos bolos...

Beijinos e abraços, tenho de ir. Volto quando puder.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Votos de Ano Novo

Desde muito cedo que me deixei de fazer votos de ano novo.

Em grande parte, se não faço desejos é por pudor.

Sinto pudor em pedir saúde para 2010 e continuar a comer doces que nem um desalmado, a encher-me de calorias, a fumar (prometi que deixava em Fevereiro), a não fazer exercício físico.
Sinto pudor em pedir a paz para o mundo e ser difícil, às vezes, manter a paz em casa.
Sinto pudor em pedir que acabe a fome e a pobreza e nada contribuir do meu orçamento para ajudar quem precisa.

No fundo, sinto pudor porque estou a desejar mais do que aquilo que costumo fazer na minha vida para o conseguir.

No fundo, desejo que a vida não seja justa, porque se fosse justa me daria, se calhar, e em algumas áreas, apenas o que mereço, o que é menos do que desejo.

Pensando bem, acho que vou formular um desejo para 2010: que tenha mais juízo e trate melhor de mim do que em 2009.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Pensamento do dia I

Somos seres estranhos: passamos a vida a fazer coisas que detestamos com o objectivo de ganharmos dinheiro para comprarmos coisas de que não necessitamos e, assim, impressionarmos pessoas que não nos agradam.

Autor desconhecido

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O azar, esse impostor

Custa-me ouvir pessoas dizerem que são azaradas, que são vítimas do destino ou até marcadas por um qualquer poder oculto. No amor, então, é ainda mais comum, por norma após algumas experiências que correram mal.

Em primeiro lugar, mesmo que as pessoas não percebam isso ou o façam de forma inconsciente, esses lamentos não deixam de ser uma forma indirecta de se auto-elogiarem. Com tanta gente no mundo, que privilégios especiais gozam certas pessoas junto dos poderes ocultos ou deuses do além para serem escolhidas como alvo do azar, de pragas ou de destino?

Segundo, há claramente uma tendência para a desresponsabilização. A culpa é sempre dessas forças negativas...

Eu sou um ser frágil, que comete muitos erros, mas que, passe a presunção, nunca cometeu o mais perigoso de todos: a desresponsabilização. Porque eu sei que neste mundo nunca ninguém me fez tão mal, e continua a fazer e sempre fará, do que eu próprio.

Eu aceito que as pessoas sejam frágeis. Que cometam erros e tenham debilidades para lidarem com certo tipo de situações. Não deixo de gostar delas por isso, não deixo de as apoiar. Mas tento ser intransigente em matéria de verdade. Porque eu sou o primeiro a dizer que sou fraco. Nisto, naquilo, no que quer que seja. Porque eu sei que sofro por ser frágil e até fraco nalgumas matérias, mas sofreria muito mais se soubesse que sou mentiroso para mim mesmo. Até porque nenhuma cura se pode iniciar sem que reconheça, primeiro, ter um problema.

Quanto ao destino, aos azares ou aos deuses, deve ser a única coisa em que não deixo que metam a colher na minha vida. Quanto aos restantes, estejam à vontade.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Chave do Euromilhões

E se eu vos dissesse que conheço um funcionário da Santa Casa da Misericórdia que anda desesperado atrás de uma pessoa para lhe entregar um primeiro prémio do Euromilhões e que essa pessoa se recusa a recebê-lo e ainda goza com o funcionário?

De certeza que vocês levariam as mãos à cabeça e dariam uma resposta do género: não sei quem é mais estúpido, se o funcionário se o vencedor do Euromilhões. Mas eu é que não corria atrás dele. Não quer, adeuzinho. Que se dê o prémio a quem realmente precisa e o quer...

Sei que ninguém acredita que esta situação se tenha passado. Mas eu digo que se passa TODOS os dias à nossa volta e muitas vezes até connosco. Basta imaginar que o primeiro prémio do Euromilhões é cada um de nós. Faz mais sentido?

Custa-me ver amigos meus sofrerem tanto por relações que fracassaram, muitas vezes por manifesta culpa do parceiro. Custa-me ver amigos com o primeiro prémio do Euromilhões no coração, desesperados por o entregarem a quem o tratou mal ou ao primeiro que aparecer.

Por norma, nunca ninguém perdeu um parceiro. Perdeu uma ilusão de relação que, afinal não tinha. Perdeu alguém que a/o fez sofrer e desprezou esse Euromilhões. Num raciocínio frio, não perdeu absolutamente nada e até se poupou a decepções futuras.

Eu aconselho a todos os meus amigos o exercício matinal do espelho. Na primeira ida à casa de banho, olhem no espelho e apresentem-se à pessoa que é, para cada um de nós, a mais importante do mundo. E convençam-se que para ganharem esse Euromilhões, terá de ser alguém que se esforce mesmo muito e vos trate da única maneira que vocês merecem.

Fácil de falar? Claro que é...
Difícil de cumprir? Todos sabem que sim.

Afinal, graças a Deus, somos todos humanos. É por isso que gosto tanto de vocês.

PS1 - Façam mais um favor a vós próprios: não se culpem em demasia pelas fraquezas. Não ajuda nada. Concentrem-se apenas no supremo gozo das vitórias que chegam a parecer impossíveis, alcançadas depois de tantas vezes que cairam e se levantaram. É nessa altura que as nódoas negras se transformam em medalhas.

PS2 - Atenção que eu estive a escrever para mim também...

PS3 - Para que conste, eu acho mesmo que cada um de vós é um primeiro prémio do Euromilhões.